hello, human
Projeto de investigação artística
Terror sem nome, na sua acepção original, é sobre uma sensação individual, em início de vida, de uma angústia profunda. Conectada à percepção de desamparo de uma dimensão avassaladora e inominável, deixa marcas que perduram.
Nesta exposição, apropriamo-nos deste termo para pensar como esta sensação se expande ao terreno social no presente, através da lente de quatro jovens artistas. De distintas formas, refletem como este ‘terror’ ligado à instabilidade permanente, é renomeado uma e outra vez e é mutável na sua forma, de modo a causar-nos a sensação de impossibilidade de agência perante o mesmo.
Ciborgues que nos lembram da materialidade do digital, fluxos naturais que resistem à ação humana, ruínas de um tempo industrial e outdoors que questionam o direito e acesso ao espaço público, interpelam-nos em diferentes momentos. Buscam dialogar connosco sobre memória, envolvimento, resistência numa conjuntura em que velhos e novos fantasmas tentam semear desesperança e imobilização.
ATLAS é uma investigação multidisciplinar e artística, resultado da seleção no projeto MANIFEST: Novas perspectivas artísticas sobre as memórias do tráfico transatlântico de pessoas escravizadas - um projeto artístico e educativo, co-criado pela Comissão Europeia, sob o programa Europa criativa, que visa contribuir para a reimaginação da memória colectiva da Europa sobre o tráfico transatlântico de pessoas escravizadas.
Foram selecionados onze projetos, de artistas residentes em diversos países da Europa, entre os quais ATLAS. De duas residências artísticas, em Zsennye e em Lisboa (2023), os projetos foi apresentados numa exposição coletiva, em Nantes (2024), cidade portuária e com uma história intimamente ligada ao tráfico transatlântico.
Com o apoio de criação da Direção Geral das Artes, foi possível continuar a desenvolver a pesquisa e o projeto, em território nacional (2025).
O projeto inclui assim uma exposição audiovisual composta por 4 obras audiovisuais, que exploram quatro símbolos: caravela, cruz, açúcar e a bandeira. Foi desenvolvido também um web-arquivo - o nosso atlas - com toda a pesquisa realizada durante o projeto.A apresentação do projeto em Portugal incluiu um workshop e duas conversas abertas ao público.